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Grupo Especial
Porto da Pedra
"Preto-e-branco a cores"
Por Isaac Ismar
Um país rico em diamantes, ouro e repleto de belezas naturais.
É um dos mais adiantados do continente negro, mas ainda assim tem
sérios problemas sociais e passa por uma epidemia de doenças.
Cinco animais de sua fauna (leopardo, rinoceronte, elefante, leão
e girafa) são considerados os Cinco Grandes. Essa é a África
do Sul, terra de Nelson Mandela, homem que lutou pela igualdade dos negros
na nação, foi preso injustamente e chegou à presidência
da nação. Tanto ele como o país serão homenageados
no enredo da Porto da Pedra para o carnaval 2007, "Preto-e-branco
a cores", de autoria do carnavalesco Milton Cunha.
Políticos do governo da cidade de Port Elizabeth, banhada pelo
Oceano Índico, recebeu uma comitiva do tigre de São Gonçalo
após a folia de 2006 para apresentar à agremiação
os atrativos que a África do Sul tem, e sua história com
o apherteid (movimento segregador racista que vitimou aproximadamente
30 mil negros). Foi em Port Elizabeth que Nelson Mandela cresceu, em uma
favela. Atualmente, ele mora na cidade de Pretória, mas autorizou
contar a sua história no local em que foi educado.
- É um desfile político sobre como as sociedades se movem
para alcançar resultados melhores. Acho que a África do
Sul é um exemplo mundial de mobilização de população
esmagada economicamente, culturalmente e socialmente. Na época
do apherteid, 94% da população era negra, mas boa parte
dela era subnutrida, sem acesso à educação e cercada
por pau e arame farpado dos bairros brancos. Mesmo nessas situações
adversas, ela se mobilizou e lutou. Foram 88 anos de uma política
segregacionista. Mostraremos como eles se organizaram e derrubaram um
governo e reconstruíram a sua sociedade e o sentimento de nação
através de lutas e ações inclusivas – explica
Milton Cunha.
Estreante na vermelha-e-branca, o carnavalesco incluiu o Brasil no desfile
mostrando as lições que podem ser aprendidas com o exemplo
sul-africano. Segundo Milton, as ações sociais promovidas
por entidades como o Afroreggae e a Central Única das Favelas (CUFA)
já mostram os frutos colhidos com iniciativas como essas.
- Quero apresentar como essa nação multirracial pode nos
ajudar a não fazer da sociedade brasileira um apartheid, embora
já seja, mesmo que não oficial. Ainda não temos a
cerca real, mas temos a ideológica. Mostro o que a gente pode aprender,
e rebato as grandes vozes da democracia no mundo (Gandhi, Luther King,
Rosa Parks e Abdias Nascimento) e termino com a fênix, que é
o símbolo da reconstrução da África do Sul.
Um país que há 20 anos atrás ano era cinzas, com
caveirão e massacres com 1.500 negros pobres em apenas um confronto
– conta.
Acompanhe como será "Preto-e-branco a cores", carro
por carro, setor por setor:
Comissão-de-frente: Desfralda a nova bandeira
do país, criada em 1994, colorida e símbolo da reconstrução.
A idéia é mostrar o orgulho pelo apogeu de liberdade e beleza;
Mestre-sala e porta-bandeira: O casal simboliza a alegria,
o orgulho e a democracia em fantasias com as cores da África do
Sul;
Abre-alas: "Colorida África do Sul"
- O tigre (símbolo da Porto da Pedra) encontra as noves filhas
de um só coração (esculturas de nove metros de altura),
que são as novas províncias e etnias, com suas culturas
e trajes típicos coloridos;
Segundo setor: "Anjo colonizador racista"
- O colorido do primeiro setor dá adeus. Para representar o fim
de um mundo com cores, antes da chegada do homem branco, surgem tons pretos,
brancos e cinzas com o intuito de relembrar as leis do apartheid. O branco
simboliza a esperança, o cinza é a insegurança e
o preto, luto. As fantasias mostram também os protestos e passeatas
com palavras de ordem, além dos guardas repressores;
Segundo carro: "Anjo colonizador racista"
- A escultura do anjo colonizador voando, que não tem nada de bondade.
É a representação do branco racista e vampiresco.
Abaixo dele, tem a figura emblemática de um negro morto, inspirada
em uma foto que foi divulgada no mundo como símbolo do movimento
segregador, na qual Peterson é carregado pela irmã e pelo
primo no massacre de Soweto. É também a representação
dos 30 mil mortos de todo o apartheid.
Terceiro setor: "Caveirão da maldade"
- O preto, o branco e o cinza continuam nas cores das alas. Muita teatralização
para passar o sentido de dramaticidade e dor do período. As fantasias
mostram também os protestos e passeatas com palavras de ordem,
além dos guardas repressores.
Terceiro carro: "Caveirão da maldade"
- Este tipo de veículo (amarelo lá e preto aqui) era
usado pelo governo contra as passeatas, nas quais os negros eram massacrados;
Quarto setor: "Salve, Mandela!" - Marca
o início da democracia, após os protestos e boicote da comunidade
internacional ao país. O último governante branco está
no poder e liberta Nelson Mandela;
Bateria: "Os músicos da África
do Sul";
Passistas: "Dançarino de Homojá";
Quarto carro: "Salve, Mandela!" - Na
visão carnavalesca da Porto da Pedra, o leão é Nelson
Mandela e acima do tigre da escola piscam os cinco sóis de néon
que representam a nova dobradura do Cabo das Tormentas. A figura de Nelson
Mandela é lembrada em dois momentos no carro: haverá uma
escultura, na qual ele estará entronado Rei de África, e
estampado nas paredes. O carnavalesco aproveita uma metáfora sul-africana,
em que o Cabo das Tormentas se torna Cabo da Boa Esperança, para
comemorar a democracia do país e a construção de
sociedades plurais;
Quinto setor: "Um palco para os africanos"
- Celebração das nove etnias em alas de comunidade, com
a exibição do colorido dos trajes típicos desses
povos;
Quinto carro: "Um palco para os africanos"
- O carro é reproduzido com um material que remete ao prisma de
diamantes para mostrar uma das riquezas do país. A alegoria é
alusiva ao 'mundo novo' que o país vive. O brasão da África
do Sul, que traz uma fênix, é mais um detalhe da alegoria;
Sexto setor: "O Museu da Favela Vermelha"
- O enredo chega ao Brasil. As ações inclusivas brasileiras
que se espelham no exemplo do país homenageado são lembradas,
como as praticadas na Cidade de Deus e em Vigário Geral;
Segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira: Ações
inclusivas (educação e cultura);
Sexto carro: "O Museu da Favela Vermelha"
- É um exemplo dos diversos museus e projetos sociais nas comunidades
sul-africanas, nos quais a população é empregada.
O carro terá torres de vidro e barracos à sua volta, assim
como o real.
Sétimo setor: "Vozes de Homoja"
- São as vozes mundiais da paz e reconciliação que,
para o povo sul-africano, é sinal de futuro. Mahatma Gandhi é
homenageado na primeira ala desta fase do desfile, pois defendeu a minoria
hindu em Durban (África do Sul) no início do apartheid.
Martin Luther King é lembrado na ala “Eu tenho um sonho!”.
O teatro experimental negro, com Abdias Nascimento, é uma das vozes
contra o racismo no século XX e será citado;
Terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: "Negro
is beatiful no Brasil" – Representa o movimento aqui no
país, nos anos 60, em que negros e negras brasileiros começam
a alertar sobre a discriminação racial;
Sétimo carro: "O dia da reconciliação"
- Um negro beijando uma branca embaixo do ‘Arco do Beijo’
é a grande aposta do carro que também terá pombas
da paz sustentando uma grande rampa, na qual estarão 25 integrantes
da velha-guarda e 25 personalidades brasileiras a favor da não-discriminação.
Oitavo setor: "Terra dos grandes" –
Compara os grandes animais da fauna do país africano (girafa, elefante,
leão, rinoceronte e leopardo) com os grandes homens e exemplos;
Ala das crianças: "Os avestruzes"
– Lembrança à maior ave do mundo, comum em terras
da África do Sul;
Oitavo carro: "O monumento à liberdade"
- A fênix sul-africana abre suas asas e alça seu majestoso
vôo. Na parte de trás do carro haverá uma réplica
de dez metros de altura do Monumento à Liberdade, que está
sendo construído em Port Elizabeth (com 150 metros de envergadura).
Metade do monumento é feito em concreto e a outra parte com cristal
entortando, para simbolizar o futuro. Cada andar representa uma década
do século XX, em que a intolerância e a superação
são recordadas.
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