Enredo do meu Samba

Grupo Especial

Unidos a Tijuca

"De lambida em lambida, a Tijuca dá um click na Avenida"

Por Isaac Ismar

Dois vices-campeonatos, um sexto lugar contestado pela escola e a simpatia dos sambistas. A Unidos da Tijuca, uma das escolas de samba mais antigas do carnaval carioca, nos três últimos anos entrou no seleto grupo das agremiações esperadas para desfilar na Sapucaí. O fenômeno do estilo de Paulo Barros, carnavalesco que se transferiu para a Viradouro, permanecerá na azul-e-amarela. As alegorias e alas coreografadas, quase com vida própria, são as apostas da nova dupla de artista Luiz Carlos Bruno e Lane Santana para o enredo "De lambida e lambida, a Tijuca dá um click na Avenida". O tema cita as emoções que a fotografia é capaz de despertar no ser humano desde as coisas boas da vida até a realidade das ruas.

É bem provável que durante a apresentação da escola, muitas pessoas relembrem momentos que marcaram suas vidas, afinal, a Unidos da Tijuca mostrará, dentre outras abordagens, situações chaves presentes em boa parte dos álbuns de família. Luiz Carlos Bruno contou um pouco ao Site O CARNAVAL CARIOCA como será o desfile:

- A Tijuca vai abrir na Sapucaí um grande arquivo fotográfico. Nós montamos um enredo baseado na nossa memória fotográfica, nas imagens que nós temos dos ícones fotográficos relacionados ao jornalismo, turismo e de grandes fotógrafos. Fizemos uma coletânea desse arquivo fotográfico e vamos abrí-lo para o público. A Mona Lisa aparece como o símbolo de uma das maneiras de se retratar, uma forma mais antiga. É a nossa convidada especial para mostrar esta ruptura. A partir do nascimento da fotografia nasce uma nova maneira de se ter o seu arquivo de retratos. Isso se populariza, já que antes era restrita à burguesia. Depois disso, a fotografia se lança e abre um leque de opções para a ciência, memórias particulares, denúncias e outras coisas. A escola pincela isso até chegarmos à atualidade, que é esta diversidade com a modernidade das fotos nos celulares e photoshop.

Lane Santana, colega de Bruno na concepção do trabalho, frisa que não há uma linha cronológica entre os setores e carros alegóricos. Os estilos fotográficos é que são relembrados nas sete fases do enredo.

- A Unidos da Tijuca vai fazer um belo desfile na Avenida, trazendo não a história da fotografia, e sim o sentimento que a foto nos remete. É um grande álbum de fotografia que não tem compromisso cronológico, mas rodeado de estilos fotográficos, como a foto do arquivo pessoal de cada um, o fotojornalismo e o registro de artistas da fotografia que dão um olhar diferente aos momentos difíceis da vida - explica Lane.

O tema não tem patrocínio e será bancado pela subvenção paga pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), cerca de R$ 2.200 milhões. A possibilidade da história dos diversos momentos da fotografia ser levada para a Marquês de Sapucaí nasceu quando Bruno revia o arquivo de fotos da escola, após o último carnaval.

- Eu estava olhando as nossas fotografias e a idéia saiu disso. Falei para o Lane que faríamos um enredo sobre o assunto, ele gostou e mergulhamos nisso - relembra Bruno.

Assim como os estilos fotográficos, as alegorias também terão um tratamento plástico contrastante. O objetivo disso é dar a elas uma certa particularidade. Muito pouco do que elas representarão na Avenida foi revelado até agora pelos carnavalescos. Eles preferem contar apenas a idéia principal dos carros, sem adiantar as surpresas. O que já é certo é a grande quantidade de pessoas teatralizando em coreografias nas alegorias.

Veja como será o desfile da Unidos da Tijuca na folia que se aproxima:

Comissão-de-frente: Homens coreografados por Gabriel Cortes, que vão representar fotógrafos registrando a realidade do mundo;

Abre-alas: "A ruptura entre a antiga arte de retratar e a nova" (O surgimento da fotografia) - Mostra como a chegada do novo invento causa um frisson na vida da sociedade da época;

Baianas: Divertidas, audaciosas e bem diferentes;

Primeiro setor: "A ruptura entre a antiga arte de retratar e a nova" (O surgimento da fotografia) - Nasce uma nova maneira de se ter o seu próprio arquivo de retratos;

Segundo carro: "Álbum de família" - Aborda a memória particular, de uma maneira geral, de qualquer um. A escola traz para a Avenida o arquivo fotográfico que normalmente qualquer pessoa tem na sua casa, como foto de aniversário, batizado, registros com a família, férias, etc. Alguns fotógrafos lambe-lambe estarão nesta alegoria;

Segundo setor: "Álbum de família" - Lembra o princípio da popularização da fotografia, quando as pessoas que não pertenciam à elite começaram a ter condições de se fotografar;

Terceiro carro: "Retratos da vida" - Enfoca a visão do fotógrafo dando beleza ao que normalmente não é bonito, e muitas vezes passa despercebido;

Terceiro setor: "Retratos da vida" - Aborda os estilos de fotografia mais artísticos, que dão ares de beleza e romantismo a imagens que gostaríamos de não ver, como os moradores de rua. Normalmente são fotos que funcionam como denúncia. Elas também têm o papel de nos alertar do mundo em que vivemos, mas insistimos em ignorar;

Quarto carro: "Fotojornalismo/Informação" - Os carnavalescos enfatizam a foto como grande truque para fechar o texto, que atrai a pessoa a ler a matéria;

Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Bira e Lucinha;

Bateria: também estará neste setor com fantasia surpresa;

Quarto setor: "Fotojornalismo/Informação" - As roupas desta fase do desfile relembrarão fatos da história que marcaram, personalidades que surgiram através da mídia (mitos), quando a pessoa vira um produto da foto;

Quinto carro: "Foto de turismo/O mundo no papel" - A Unidos da Tijuca entrega a máquina fotográfica ao cidadão-comum para que ele desbrave o mundo;

Quinto setor:
"Foto de turismo/O mundo no papel" - Com rolos e mais rolos de filme, a agremiação embarca no turismo, conhecendo os grandes monumentos do mundo em busca de registrar a sua passagem por esses lugares em cartões-postais;

Sexto carro: "Cultura e o mundo em fotografia" - A máquina volta para a mão do profissional, e ele fará um turismo diferente. Será o aventureiro mostrando o mundo que nós vivemos indo a lugares que normalmente não vamos;

Sexto setor: "Cultura e o mundo em fotografia" – Mostrará as fotografias nas barreiras de corais, durante mergulhos, visitas a países em regimes ditatoriais para registrar uma menina talibã e cliques de culturas diferentes. Lembrará também as revistas especializadas que registram lugares diferentes com ar de aventura;

Sétimo carro: "Fotografia digital" - O fotógrafo vira pintor e volta no tempo em que o retratista interferia no retrato com um detalhe a mais, como as sombras, por exemplo;

Sétimo setor: "Fotografia digital" - O final do desfile citará todas as possibilidades da fotografia atual. As alterações que programas de computador dão às fotografias, com a intenção de melhorá-las.