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Grupo Especial
Vila Isabel
“Soy loco por ti, América: A Vila canta a latinidade”
Por Isaac Ismar
A América Latina é a aposta da Vila Isabel para se firmar de vez no Grupo Especial. Vinda de um décimo lugar na elite do carnaval em 2005, após alguns longos anos no Grupo A, a azul-e-branca contratou o carnavalesco Alexandre Louzada para desenvolver o enredo “Soy loco por ti, América: a Vila canta a latinidade”. Como bem diz o verso “Do sombreiro ao chimarrão” no samba-enredo, o tema conta as características dos vários países da região e propõe a integração dos povos que os habitam.
Segundo Louzada,o objetivo da agremiação é também levar para a Sapucaí e mostrar para o mundo o orgulho latino. Para ele, assim como a Vila lançou em 1988 a semente pelo fim do apartheid na África do Sul, agora chegou o momento da escola enfocar o fortalecimento comercial e cultural dos países que integram as Américas, como o próprio artista explica:
- É um grande congraçamento dos povos latino-americanos e a Vila conta um pouco da trajetória histórica dos continentes. Falamos dos nossos traços e singularidades e também das diferenças, mostrando que somos originários de um mesmo povo, uns colonizados pelos espanhóis e outros por portugueses e franceses, mas todos descendentes dos índios. Acho que é o momento do Brasil assumir essa latinidade, já que sempre esteve de costas para seus vizinhos, no sentido de uma integração cultural maior. Precisamos mostrar o orgulho de ser latino americano para a Europa e Estados Unidos.
Mesmo ao abordar países e heróis nacionais, Louzada afirma ter buscado alternativas culturais, ao invés de políticas. A artista Carmem Miranda é um exemplo disso.
- Eu trabalhei esse enredo com muito cuidado para não politizá-lo, queremos mostrar entre outras coisas, o quanto o folclore do Equador e Peru se parece com detalhes da nossa cultura nordestina. Carmem Miranda tornou moda ser latino, mesmo não sendo brasileira – garante o carnavalesco que está usando fibras naturais na confecção das fantasias que vão retratar o folclore de algumas regiões.
Confiante no trabalho que está sendo realizado no barracão e nos ensaios das alas de comunidade, Louzada acredita que a agremiação do bairro de Noel fará bonito na Avenida para chegar ao menos entre as campeãs.
- Tenho experiência em trabalhar em escolas tradicionais, já passei por Mangueira e Portela, e na Vila não é diferente, porém, aqui a comunidade é muito participante. É uma agremiação que tem um chão maravilhoso e estamos nos preparando para ganhar o carnaval ou chegar pelo menos entre as seis – finaliza.
A escola optou por uma estrutura de desfile um pouco diferente, com mais de um carro alegórico fazendo parte de alguns setores. Veja como então como será o carnaval da azul-e-branca:
Comissão-de-frente: O coreógrafo Roberto Lima comanda os 15 homens que integram o grupo. Entre outras coisas, a abertura do desfile da Vila Isabel fará uma homenagem para Carmem Miranda e mostrará a coroa, símbolo da escola;
Mestre-sala e porta-bandeira: A fantasia do casal representa o povo asteca;
Primeiro setor: “Os povos nativos” – Este setor engloba desde a comissão-de-frente e até a terceira alegoria;
Baianas: As senhoras do bairro de Noel virão antes da primeira alegoria com figurinos também inspirados na cultura asteca;
Abre-alas: "O esplendor do Império do sol – Astecas” - O carro lembrará a parte do enredo que conta que os europeus chamavam erroneamente os astecas e maias de índios. E mostra que a América foi descoberta na região onde hoje é a América Central;
Primeiro setor (continuação): "Os povos nativos" - Relembra os povos pré-colombianos habitantes da Cordilheira dos Andes, apresentando um caleidoscópio dessa civilização ao mostrar o condor (principal símbolo da América do Sul), barcos do Lago Titicaca (na Bolívia) e as llamas (animais usados no transporte de carga nos Andes);
Segundo carro: “Senhor de Sipan – O apogeu do Império Inca” – Mostra uma das mais ricas cidades da civilização inca. A alegoria retrata fragmentos desse local e é onde estará uma das maiores esculturas da escola, além de muito ouro e pedras preciosas;
Primeiro setor (continuação): “Os povos nativos” - O enredo chega ao Rio Amazonas e aos povos que deram origem à população da Venezuela. A região Norte brasileira e a influente cultura indígena como a arte dos tupis, aruãs, caraíbas são simbolizadas nesta parte do setor;
Terceiro carro: “A riqueza cultural dos nativos brasileiros – A cerâmica marajoara” - Traz uma grande oca, com a pajelança, cerâmica marajoara e o artesanato indígena;
Segundo setor: “A invenção e a invasão da América” - Simboliza o extermínio físico e cultural que os portugueses e espanhóis trouxeram para o continente ao matar índios e tirar seus mitos e crenças com a imposição da religião católica e tradições européias.
Bateria: “Os grandes olhos da cobiça”;
Passistas: “O fogo da destruição” ;
Quarto carro: “Rumo aos mares em nome del rei e da fé” - Neste carro, Alexandre Louzada reproduziu um navio fantasma para dar a idéia de que a morte se aproxima. Lembra o Dia dos mortos, festa muito tradicional no México, quando as pessoas se vestem de caveira e brincam com as agruras do passado e do presente. E também a morte dos índios latino-americanos e sua cultura, após a invasão branca.
Terceiro setor: “A colonização européia da América” – Remete ao período da colonização, época em que a América Latina se transforma no império do açúcar, café e da banana. O folclore do Equador foi escolhido pelo carnavalesco para representar os produtos agrícolas, já que neste país tradicionalmente é montado um auto de Natal com cenas do cotidiano do campo;
Quinto carro: “América: Terra de riquezas, terra de fartura” -- Decorado com palha de milho, estopa e juta, como é naturalmente feito no Equador, remete às características da América Colonial. Esculturas de anjos feitas com vergalhão e trançadas em palha abençoam a terra fértil lembrando um grande presépio;
Quarto setor: “A formação da tradição mestiça – práticas e representações culturais latino-americanas” - As alas abordam a miscigenação com um mosaico multicor do folclore das nações da região;
Ala das crianças: “Sabores do Caribe”;
Sexto carro: “América tropicaliente” - A alegoria simboliza o folclore do México e da ilhas do Caribe. A rumba, o clima tropical e as tequilas complementam a idéia do carro. O deserto mexicano e a figura emblemática do sombreiro se misturam a uma grande rumbeira;
Quarto setor (continuação): “A formação da tradição mestiça – práticas e representações culturais latino-americanas” - Muita cor para seguir mostrando a cultura da região. Nesta parte vem a ala das mocinhas com meninas vestidas de Carmem Miranda em homenagem ao samba;
Sétimo carro: “Deus salve a América do Sul” - O enredo chega ao Cone Sul abordando as danças e manifestações culturais, como a diablada, as bailadas do Sul, o samba e o bumba-meu-boi da região. As festas latinas e seus personagens, como as santerías e os mariaches são alguns dos destaques da alegoria. O carnavalesco usou muitas cores para retratar os vendedores de frutas;
Quinto setor: “O sonho de Simón Bolívar se torna realidade no carnaval” – Apenas duas alas antes da última alegoria. Agora o destaque é para o libertador Simon Bolívar, que lutou pela integração latina. Esse ideal será representado carnavalescamente por um arlequim empunhando bandeiras dos países da região;
Oitavo carro: “O sonho de Simon Bolívar se torna realidade através da mágica do carnaval” - A Vila abre o seu coração para os povos latinos e um grande boneco de Simon Bolívar segura o arauto da liberdade.
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